terça-feira, 17 de novembro de 2009

sinapses emendas


ai que hoje eu quero é o lápis macio e firme, escorregando na folha lisa.


ela suplica pelo texto, que já é seu, de tamanho justo e forma tão incorpórea quanto durável, possuindo gentilmente toda sua página, esta casa aberta para a diversão.


depois, preciso de energia, sem falta ou apagão.


preciso da sinapse dos cabos tensos, de todos os condutores elétricos, eletrificados, vias e caminhos nervosos.

preciso irromper no espaço imaterial os estilhaços dos juízos, sonhos, planos e imagens que ouso aqui confessar.


mas, se esta emenda me falha agora! ai se cai a conecção!

como satisfazer o caminho das idéias que querem drenar nestes meios já tão suturados e infibulados, fios estrangulados esquecidos no quarto escuro...


que pavor destes feixes débeis e fragmentados, alterados, defeituosos, cordas onde avançam imensidões de desejos que querem ser fato.

Imagem – “ entrada de energia do edifício na rua bela Cintra esquina com avenida Paulista, onde fui buscar minhas passagens para Recife”,
Sônia Andrade

ass. Sônia Andrade
para o meu leitor primeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário