
ai que hoje eu quero é o lápis macio e firme, escorregando na folha lisa.
ela suplica pelo texto, que já é seu, de tamanho justo e forma tão incorpórea quanto durável, possuindo gentilmente toda sua página, esta casa aberta para a diversão.
depois, preciso de energia, sem falta ou apagão.
preciso da sinapse dos cabos tensos, de todos os condutores elétricos, eletrificados, vias e caminhos nervosos.
preciso irromper no espaço imaterial os estilhaços dos juízos, sonhos, planos e imagens que ouso aqui confessar.
mas, se esta emenda me falha agora! ai se cai a conecção!
como satisfazer o caminho das idéias que querem drenar nestes meios já tão suturados e infibulados, fios estrangulados esquecidos no quarto escuro...
que pavor destes feixes débeis e fragmentados, alterados, defeituosos, cordas onde avançam imensidões de desejos que querem ser fato.
Imagem – “ entrada de energia do edifício na rua bela Cintra esquina com avenida Paulista, onde fui buscar minhas passagens para Recife”, Sônia Andrade
ass. Sônia Andrade
para o meu leitor primeiro
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