
do que se alimentam seus sonhos, toda noite?
onde guardar tão perto de si mesmo as paixões desfeitas em cartas e retomadas em post-it? as imagens de quem foi, de quem virá, de quem está. e tudo que se sobrepõe. memória, memória, memória...
ao lado da minha cama, ele se infiltra na minha intimidade, torto(a), desconstruído(a), remontado(a) todo dia. ai, profano amigo, o que seria eu, sem você, metáfora muda, o mudo criado do meu inconsciente ...
entre os livros policiais e os de meditação, cremes para todos os pedacinhos mais específicos do meu corpo, caneleiras para enrijecer os quadríceps e a oração da avó para tonificar a alma.
por baixo do despertador, por cima do chão da cama, ao lado da frequente perda do controle de mim mesma, me olhando e me guardando e guardando os pedaços de mim.
sempre ali, quando o sonho se vai (já?, tão agora? ) e quando está por vir ( boa noite, durma bem, até amanhã...).
guardar, armazenar, encaixotar. empilhar. ai, memória, memória, memória...
ele é a minha memória do verdadeiro desejo, o desejo de objeto primeiro, o objeto de desejo da minha memória.
Objeto - "You can’t lay down your memories", Tejo Remy
ass. Sônia Andrade
