quarta-feira, 28 de outubro de 2009

meu criado mudo


do que se alimentam seus sonhos, toda noite?


onde guardar tão perto de si mesmo as paixões desfeitas em cartas e retomadas em post-it? as imagens de quem foi, de quem virá, de quem está. e tudo que se sobrepõe. memória, memória, memória...


ao lado da minha cama, ele se infiltra na minha intimidade, torto(a), desconstruído(a), remontado(a) todo dia. ai, profano amigo, o que seria eu, sem você, metáfora muda, o mudo criado do meu inconsciente ...


entre os livros policiais e os de meditação, cremes para todos os pedacinhos mais específicos do meu corpo, caneleiras para enrijecer os quadríceps e a oração da avó para tonificar a alma.


por baixo do despertador, por cima do chão da cama, ao lado da frequente perda do controle de mim mesma, me olhando e me guardando e guardando os pedaços de mim.


sempre ali, quando o sonho se vai (já?, tão agora? ) e quando está por vir ( boa noite, durma bem, até amanhã...).


guardar, armazenar, encaixotar. empilhar. ai, memória, memória, memória...


ele é a minha memória do verdadeiro desejo, o desejo de objeto primeiro, o objeto de desejo da minha memória.


Objeto - "You can’t lay down your memories", Tejo Remy


ass. Sônia Andrade

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Começo..


E iniciamos aqui o nosso Blog.

Eu, Sônia Andrade. Ele, Danilo Rabak.

Muito prazer, arquitetos.

Arquitetos com muito prazer.

Brotado dos momentos profanos em que, em ambiente seriíssimo de trabalho, eu e Danilo nos dedicamos a assuntos completamente dispensáveis ao nosso tão valioso escritório de arquitetura, que é o nosso o dia-a-dia, ganha-pão, palco de fortes emoções, fonte de inspiração - decepção e porque não, local de profundas análises do quadro arquitetônico atual (uau!).

Danilo tem olhar calmo e minucioso. Detalhador, um cara da 1:1.

Sempre acha onde me perdi. E encontra as linhas perdidas das planilhas, as ferramentas certas do Vector, desmonta os PDF’s, articula tudo no tal do XP.

Eu sou a de criar os cenários, climas, planos grandes e grandes planos, do entusiasmo, do capo e coda, uma pessoa da 1:1000.

E arrasto ele para as aventuras ... como encontrar os arquivos fundamentais para aquele projeto, distraidamente deletados para todo o sempre.

e para este blog aqui...

Nos lembramos do amigo Renan, futuro arquiteto e personalidade controversa do cenário, a quem pedimos ajuda, colaboração e perdão, se percebemos ser o caso...

Queremos aqui iniciar este assunto com os amigos arquitetos, designers, paisagistas e urbanistas que pretendemos serem nossos parceiros e aliados na busca da discussão não verbal das formas móveis e imóveis, desde que irreverentes, não usuais e que , por vezes desrespeitem o bom senso.

Não seremos inflexíveis. Poderemos ser poéticos.Poderemos aqui discutir a arquitetura desconstrutivista do Cazaquistão.

Desde que se incorpore ao tema, desde que surpreenda o olhar, que desacate o main stream, que nos subverta. Não queremos as imagens bonitas e tratadas a pão de ló no PhotoShop. Não postaremos a capa da revista.

Queremos o popular, o que se forma espontâneamente e que se ajeita, o que precisa se acomodar para ali estar.

Queremos tudo o que forma a arquitetura possível e, porque não, imperfeita, sob a ótica do que nos é solicitado fazer em nosso dia a dia profissional. Mas que, na sua imperfeição, nos redescobre como observadores-planejadores de objetos e espaços.

O que, por vezes, nos faz ver como somos pequenos diante de tanta arquiteura plena de humanidade.

Apertemos os cintos, pois. Que esta viajem seja boa.
Ass: Sônia Andrade