
“...como um doente acostumado afinal às dimensões espaciais de seu mal, vivia naquele aposento, que parecia construído sob medida para ele”.
“As Brasas”, Sádor Márai
“...há um sujeito, mas ele não é, talvez seja só uma promessa. o que vai sendo, indo como pode”.
“O nome do Cuidado”, Léo Lama
http://www.youtube.com/watch?v=R9guB_9O-YY
às enfermidades espaciais dispenso sempre os meus mais sinceros cuidados.
reparo de longe, com olhar de desvelo exclusivo, as deformidades, as decomposições, e tudo aquilo que carece do tão cultuado bom senso, da tão procurada saúde estética.
e aí começa o deleite da minha brincadeira...
inverto, cruzo, oponho, espelho papel e personagem da cena. doentes e patologias.
encontro, aqui e ali, neste ofício, um maníaco guloso que tudo quer ocupar, deflorar, desfrutar. tira da frente o que não lhe convém; ou engole; ou devassa. mas sempre se apossa. é a célula aumentada, sem estrutura, parasitária e maligna.
do outro lado, tão oposto quanto igual, o paciente, em sua acanhada fragilidade.
por vezes neurótico, dá valor a sua concretude e se agarra às “dimensões espaciais do seu mal”.
e ali fica. e ali incomoda. tortura. atormenta. vive.
e, tal qual tumor que não vai, fica.
se torna parte do novo corpo que, agora e para sempre, está condenado a ser assim. como catarata crônica que obscurece a paisagem e turva a vista panorâmica.
qual a medicina para a metástase das células que formam esses nossos elementos arquitetônicos? este corpo construído que se alterou de tão usado e abusado.
“qual é a minha medicina, qual é a sua medicina?”. (Léo Lama).
ass. Sônia Andrade
imagem : “vista da área comum de um edifício, com o vizinho que não quis vender seu terreno”,
“As Brasas”, Sádor Márai
“...há um sujeito, mas ele não é, talvez seja só uma promessa. o que vai sendo, indo como pode”.
“O nome do Cuidado”, Léo Lama
http://www.youtube.com/watch?v=R9guB_9O-YY
às enfermidades espaciais dispenso sempre os meus mais sinceros cuidados.
reparo de longe, com olhar de desvelo exclusivo, as deformidades, as decomposições, e tudo aquilo que carece do tão cultuado bom senso, da tão procurada saúde estética.
e aí começa o deleite da minha brincadeira...
inverto, cruzo, oponho, espelho papel e personagem da cena. doentes e patologias.
encontro, aqui e ali, neste ofício, um maníaco guloso que tudo quer ocupar, deflorar, desfrutar. tira da frente o que não lhe convém; ou engole; ou devassa. mas sempre se apossa. é a célula aumentada, sem estrutura, parasitária e maligna.
do outro lado, tão oposto quanto igual, o paciente, em sua acanhada fragilidade.
por vezes neurótico, dá valor a sua concretude e se agarra às “dimensões espaciais do seu mal”.
e ali fica. e ali incomoda. tortura. atormenta. vive.
e, tal qual tumor que não vai, fica.
se torna parte do novo corpo que, agora e para sempre, está condenado a ser assim. como catarata crônica que obscurece a paisagem e turva a vista panorâmica.
qual a medicina para a metástase das células que formam esses nossos elementos arquitetônicos? este corpo construído que se alterou de tão usado e abusado.
“qual é a minha medicina, qual é a sua medicina?”. (Léo Lama).
ass. Sônia Andrade
imagem : “vista da área comum de um edifício, com o vizinho que não quis vender seu terreno”,
Sônia Andrade
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