terça-feira, 2 de março de 2010

garo(t)a, sou chuva e tempestade













muitas vezes, na função e no ofício da arquitetura
dentro da metrópole megalópole urbanópole
observo o construído que sucumbe
desfaz no olhar resignado
en-face en-frenta o evento não controlado

o profanado arreganha seus dentes e se ergue
se confunde me confunde confunde
os parâmetros possíves do edificado

danço esta dança que nos engole e nos submerge
retratos fluidos falidos de nossos desejos pendulares
que traem
traindo-nos a nós mesmos



garo(t)a, sou chuva e tempestade

tem dias em que sou convicta e convincente.
convencida
me desabro na minha certeza

há dias em que meu traço é firme,
como um tiro partido de um ponto : a minha mira
ao seu fim : a minha vítima.
o alvo único e fixo, imóvel, certo

eles observam meu disparo
seguidores do olhar frouxo

que delícia...
sorrio no vazio
e danço mais.

me vejo refletida no meu improviso
solo, tão solo. acompanhado e solo.

e levo arrasto giro sapateio e levo arrasto giro sapateio e levo arrasto giro sapateio e levo arrasto giro sapateio e levo arrasto giro sapateio e levo arrasto giro sapateio levo arrasto giro sapateio

sorriso aberto em navalha
movimento rasgado no espaço
qual tsunami e olho de furacão

sou vendaval
sou máscara crua que molha, fria, o fundo desejo de me escoar

e me esgoto
sumo pelas frestas tão finas tão largas
absorvida no impermeável solo

leve evaporo
levevaporo
leve me levo por onde escorregar a
minha alma que armada
aguarda meu novo tempestear



ass. Sônia Andrade

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